O teste de gravidez é o único exame médico no qual um mesmo resultado pode provocar tanto alívio quanto pânico, euforia, desespero ou, como no meu caso, todos esses sentimentos ao mesmo tempo.
Logo decidi me arriscar no meu primeiro exame de farmácia. Entro no banheiro, abro a caixinha e leio as instruções com tanta emoção que não entendo nada. Leio mais duas vezes e começo o processo. Abaixo a calcinha, seguro o minúsculo potinho (parece um dedal) e encaixo onde imagino que vai sair o xixi. Se existe uma maneira digna de se fazer este teste, por favor alguém me conte. Minha mão, o acento do vaso e minha calcinha ficam molhados na hora. Suando de nervoso e toda mijada, me preparo para mergulhar a tal fitinha no dedal. É importantíssimo mergulhar a fitinha do lado certo. Qual é o lado certo mesmo? Seguro de novo a bula que fica molhada também. Os desenhos parecem totalmente diferentes mas mando ver. Agora é esperar.
Leva cerca de 5 minutos mas mesmo assim você fica 10, 15, 30 minutos esperando aparecerem os dois risquinhos que provam que você é uma vitoriosa. No fundo você já sabe que deu negativo.
A primeira vez, dói. Na segunda vez, é triste também. Na quinta, você começa a ficar meio puta da vida. A partir da oitava vez, jura nunca mais fazer a merda do teste enquanto viver.
Até o dia em que ascende a esperança de novo. Aí, você quer fazer o teste na hora, no mesmo minuto. O desespero é tão grande que você poderia sair de casa às 3h da manhã e abrir a porta da farmácia com um machado para pegar uma caixinha do exame. Por isto, eu nem esperei chegar em casa, repeti a operação “xixi na mão” no banheiro da empresa mesmo. Assim que mergulhei a fitinha no líquido, imediatamente apareceram dois risquinhos. “Droga” pensei. “Tá estragado. Deu positivo rápido demais. Vou comprar outro e fazer de novo.” Mas o segundo também estava estragado. Celular na mão, ligo do banheiro mesmo.
“Amor, tô ligando aqui do banheiro do serviço. É que você ficou falando aquele negócio de gravidez e aí resolvi shshsh...”
“O quê? Fala mais alto.”
“Não posso falar alto, tô no banheiro do serviço, porra.”
“Credo, você só tem tempo de me ligar na hora de fazer xixi?”
“Presta atenção. Eu fiz o teste.”
“Sabia! Você está grávida amor! Já contei para minha mãe.”
“Você falou com a sua mãe?! Mas a gente combinou não contar pra ninguém até ter certeza! Além disso, acho que o trem tá estragado. Deu positivo na hora e a bula diz para esperar 5 minutos.”
“Aposto que vai ser menina. Minha mãe acha que vai ser menino.”
“Pare com isto, tenho que fazer o exame de sangue. Só assim vou ter certeza absoluta. Ninguém vai saber até falarmos com um médico, combinado?”
“Eu realmente quero que seja menina. Vou contar para todos os meus colegas aqui do serviço, tô tão feliz!”
“Já disse, não vamos contar para ninguém até ter certeza e ponto final. Agora vou desligar. Preciso telefonar para minha irmã, ela vai ficar louquinha com a notícia!”
Olá, Márcia!
ResponderExcluirVocê não tem ideia de como fiquei feliz de saber que você fez o blog! Só pelo primeiro e segundo textos, já tenho certeza de que continuarei a ler sempre... Dá até para ouvir você falando enquanto leio - que saudade de você contando seus casos ao vivo, viu? hehehe
Beijinhos
É, minha irmã. Não fui mãe aos 40 e sim aos 24, porém me senti exatamente assim como vc descreve.Acho que no fim das contas ser mulher é o que nos faz semelhantes. É um novo mundo completamente estranho e mágico a ser descoberto. Dá um medo... Até hj. Não se iluda, as descobertas e os medos não passam.
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