A nova geração das mães não é tão nova assim.

A nova geração das mães não é tão nova assim. Se você colocou a universidade, a carreira, o regime e até o marido na frente da maternidade e depois teve que correr atrás do prejuízo, bem-vinda ao blog das novas mães maduras.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Escolha ginecologistas que abraçam.

Certa vez li num texto um conselho surpreendente: “Encontre um bom médico, mais ou menos da sua idade, para que vocês possam envelhecer juntos.” É uma boa ideia já que ele estará passando pelas mesmas fases que você, vai acompanhar todo o seu histórico e assim não será preciso recontar toda a sua vida a cada nova consulta. Saberá quais remédios deram certo, quem é seu marido ou esposa, quais males já afetaram seu corpo e até os males que magoaram seu coração.

Pouquíssimas pessoas têm esse privilégio. Eu sou uma delas.

Dra. Suzana Veloso já cuidou da minha mãe, das minhas irmãs e até da minha sobrinha de 11 anos. Nunca começa um atendimento sem primeiro saber como estou, como vai o trabalho, o marido e a filhotinha. Em suas fichas, dra. Suzana anota muito mais que sintomas de doenças. Ela guarda em suas anotações as queixas, os medos, os anseios e melhoras de cada paciente. Ela se lembra, por exemplo, há quanto tempo eu me queixo por estar acima do peso ou tenho incertezas na vida profissional.

O ginecologista deve ser capaz de dar afeto mas também puxar sua orelha se você ficar mais de um ano sem fazer o papanicolau. O bom profissional vai ver muito além do seu útero. Veja só como foi a sintonia da Dra. Suzana comigo. Em uma de nossas consultas, enquanto estava deitada sem calcinhas e com as pernas graciosamente penduradas naquele estribo, eu falava sem parar dos meus problemas enquanto ela examinava as partes baixas. Depois de olhar detidamente, ela disse:

“Márcia, acho que você deveria procurar um psicólogo.”

Viu? Eu fui o primeiro caso cientificamente diagnosticado de perereca louca! Não sei como a dra. Suzana descobriu que eu não regulava da cabeça só examinando a minha vagina mas ela sempre demonstrou paciência com minha instabilidade emocional.
"Ah, dra. Suzana, eu acho que nunca vou ter filhos. Deus me livre! Além de dar trabalho, eu não acho que ia querer uma coisa dentro da minha barriga, mexendo... Já assistiu o filme Alien? Depois, ainda vou dar de mamar? Argh! Esse negócio de dar leite é para vacas, não é normal. ”
Ela ouvia isso e ainda aceitava continuar a ser minha médica. O problema é que eu simplesmente tinha horror a toda a alteração física causada pela gravidez. Mas dois temores eram essenciais. O primeiro deles, lógico, era engordar. Como já disse, não era medo de perder a forma pois eu sempre estive mesmo é "em forma de nhá benta", sabe como é, aquele doce todo fofo e cheio de pneuzinhos. Mas depois de décadas de dietas saudáveis, dietas malucas, pactos de fome, anfetaminas, bulimia e uma cirurgia bariátrica, era esperado que eu, vendo meu peso aumentar a cada, considerasse isto um motivo legítimo para se cometer o suicídio.

“Márcia, agora tem um bebê dentro de você. O peso tem que aumentar ou há algo errado com sua filha” ela explicava pacientemente.

“Mas, doutora, eu não aguento nem ver o ponteiro da balança subindo...”

“Eu peso você de costas, vai.”

Sinceramente não sei como ela aguentava aquilo. Mas havia um medo ainda pior, o maior de todos: a hora do parto. É uma sensação normal, claro. O processo em si já é bastante assustador mas, para piorar a situação, não faltam histórias de terror sobre partos. Uma colega de trabalho, assim que soube da minha gravidez veio me parabenizar.

“Que bom, Márcia! É sua primeira gravidez? Que Deus abençoe, porque eu, infelizmente, perdi o meu primeiro filho. E o pior: foi no 8º mês, já pensou, enxoval pronto e tudo. Ainda tive que esperar até o dia seguinte para fazer a cirurgia...”

Ela ia contando e eu ia ficando tonta. Aliás, nem precisava de estranhos para rechear meu repertório de terror do parto, basta ouvis as histórias da minha mãe. Quando ela gritava com terríveis contrações, as enfermeiras gentilmente diziam: “Pode parar com este escândalo! Na hora de fazer você gostou, né? Agora aguenta!” Umas gracinhas as enfermeiras nos anos 60, né?

No primeiro parto da minha mãe, não sei se o médico era um açougueiro ou um costureiro pois, quando foi suturar a incisão da vagina, ele se entusiasmou e foi costurando, costurando...até que acabou pregando o botão também, pode?

Continuando mais um capítulo dos “Terríveis Partos da Mãe da Márcia”, quando minha irmã mais nova nasceu no dia 26 de dezembro, quase não tinha médico de plantão. Papai largou mamãe no quarto e saiu desesperado procurando algum pelo hospital enquanto ela berrava de dor, totalmente sozinha. A dor era tanta que ela percebeu apavorada que teria o bebê sozinha! Fico imaginando o medo que ela sentiu.

Após um bom tempo, atraída pelos gritos de minha mãe, uma médica entrou no quarto a tempo pois o bebê já estava coroando. Pausa! Preste bastante atenção nesta palavra: COROANDO. É uma expressão muito glamurosa para uma situação nada elegante, considerando-se que a “coroa” em questão é a sua boceta esticada ao máximo para dar passagem ao cabeção do seu filho.

No fim, mamãe se salvou bem como a minha irmã mais nova, para minha infelicidade já que ela me tirou o título de caçulinha da família. Deu para entender porque é tão importante a escolha do seu ginecologista?

A dra. Suzana me esclarecia as dúvidas, aguentava meus pitis até um certo ponto e depois dava uma sacudidela quando eu exagerava. Como uma boa mãe. E foi a dra. Suzana quem me deu o abraço mais importante da minha vida. Na hora do parto, quando eu me encontrava de camisolão aberto nas costas, sentada numa maca fria e cercada de estranhos e esperando para receber a agulha da peridural entre as vértebras, ela me abraçou. Me envolveu em seus braços e eu me senti segura, pronta para tudo, até para me tornar mãe.

REGRA 3 - Escolha ginecologistas que abraçam.
Quando for procurar um ginecologista, use este teste. Pegunte: “Doutor, na hora da anestesia, o senhor vai estar lá para me abraçar?” Se ele disser que sim, é o médico certo.

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