A nova geração das mães não é tão nova assim.

A nova geração das mães não é tão nova assim. Se você colocou a universidade, a carreira, o regime e até o marido na frente da maternidade e depois teve que correr atrás do prejuízo, bem-vinda ao blog das novas mães maduras.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Engravidando

Algumas decisões podem afetar o resto de suas vidas. Por isto, desde os 15 anos eu só tinha uma única certeza na vida: não queria ser mãe. Eu não consigo manter minha gaveta de calcinhas em ordem, como poderia cuidar, lavar, limpar a bunda, alimentar, educar outro ser humano?

Adorava ficar até tarde vendo um filme, sair a qualquer hora e viajar a serviço ou lazer. Não tinha jantar? Miojo: pronto em 3 minutos!

Ia tudo muito bem até que apareceu a Ideia! Ninguém sabe de onde essa Ideia veio, simplesmente apareceu do nada e mudou tudo. “Amor, estive pensando e... acho que eu quero ter um bebê.”

Parecia que meu marido tinha ganhado na loteria. Ele nunca deixara transparecer, mas sempre sonhara ser pai, só que não queria forçar minha barra. Ou talvez tenha sido ele quem plantou a tal Ideia. Lavagem cerebral? Magia negra? Sei lá. Só sei que, para todos os efeitos, a Ideia saiu da minha cabeça e, com isto, todas as consequências seriam sempre minha culpa. Droga! Adoro poder botar a culpa no meu marido...

E foi assim! Não tinha absolutamente nada de errado com a minha vida. Mesmo assim, resolvi mudá-la de ponta a cabeça e começamos a praticar o chamado “sexo com propósitos reprodutivos”.

Já disse que sou bagunceira. Mas havia uma coisa que eu manipulava com mais cuidado que os cientistas de um laboratório nuclear manipulam plutônio: a pílula anti-concepcional. Sagrada, priorizada, reverenciada, jamais esquecerás de tomar a pílula certa no dia certo e na hora certa, amém!

De repente, eu estava livre. Podia dar adoidado sem me preocupar com nada. A única preocupação era: a menstruação vem ou não vai vem? E todo mês, decepção: ela vinha. Minha vida sexual ficou estranha. Não era mais uma questão de tesão, era questão de contar no calendário para conferir o dia fértil e aí, pimba! Querendo ou não querendo, tinha que comparecer. “Querida, hoje eu tô tão cansado...” E eu já rodava a baiana: “Não quero nem saber. Tem que fazer sua parte, que aliás, é a mais fácil de todas. Quem vai carregar o bebê? Quem vai parir? Quem vai amamentar? E você não pode fazer uma forcinha mínima?” No outro mês, a coisa virava pro meu lado. “Hoje não, querido, que eu estou com dor de cabeça...” Parece desculpa clichê mas no meu caso é sério, eu tenho enxaqueca.

Passaram-se dois anos. Isso mesmo, você leu direito: DOIS ANOS! Já tinha até esquecido da Ideia. Desistimos dos ultrasons, dos exames, do calendário e voltamos à vida normal. Até que um dia, meu marido chegou das compras com meus pacotes de absorventes e foi guardá-los no armário.

“Benhê, sua menstruação não veio mês passado.”

“Claro que veio.”

“Você é desligada mesmo. O armário tá cheio de pacotes de absorvente, você não usou nenhum.”

“Gente, será que já é a menopausa?”

“Querida, você tá grávida.”

“Claro que não, eu nunca fiquei grávida”.

“Tá agora. E não é só isso: notei que seus seios estão maiores.”

“Você é um tarado mesmo...”

“Não é isso, você reclamou ontem que os seios estão doendo, isso é sintoma de gravidez.”

“Amor, parece que você não assiste novela. Sintoma de gravidez é enjoo. A mocinha da novela sempre vomita e eu não estou vomitando.”

“Tá grávida.”

“Não tô! Para de me dar esperanças! Buáááá!”

Mal sabia eu que aquele descontole emocional todo também era um dos sintomas de gravidez. Consultei o Google e era verdade: seios inchados e doloridos são os primeiros sintomas de gravidez. Ninguém contou isto para os autores de novela?

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