A nova geração das mães não é tão nova assim.

A nova geração das mães não é tão nova assim. Se você colocou a universidade, a carreira, o regime e até o marido na frente da maternidade e depois teve que correr atrás do prejuízo, bem-vinda ao blog das novas mães maduras.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Momento de beleza.

Eu passei toda a minha vida fazendo basicamente duas coisas. Ou estava comendo todas as guloseimas que encontrava pela frente como uma vaca louca ou estava fazendo dietas elaboradas por um chefe de cozinha de campo de concentração nazista. Por isto, estar um dia com 68kg e, meses depois com 100kg era rotina. Meu guarda-roupas parece uma arara de loja. Cabides da esquerda com numeração 52, ao centro, roupas tamanho 48 e, do lado direito, minhas peças menos usadas: as de etiqueta 44. Sabe o efeito sanfona? Em mim, é um estado permanente.

Isto me deu todo o know how necessário para enfrentar as alterações de peso da gravidez. Eu estava preparada para virar uma jamanta, mas tive uma enorme surpresa! Estar grávida me transformou numa mulher maravilhosa. Eu jamais estive tão bonita antes (para ser sincera, jamais estive bonita antes de jeito algum). Não existe creme de beleza mais poderoso que a felicidade.

REGRA 5 – Curta o seu momento top model.

Se você está grávida depois dos 40, pode ser que não se anime a viver esta aventura de novo. Por isto, registre tudo, cada etapa da sua barriga. Não tenha medo de posar com o barrigão de fora, pague mico, se produza toda! Eu e minha irmã fomos para o Museu de Arte na Lagoa da Pampulha levando no porta malas do carro, mudas de roupa, sapatos e um kit de maquiagem. Fizemos um monte de fotos maravilhosas (e fotos ridículas também). Quase fui prese trocando de roupa dentro do carro. Fiquei até de soutien para mostrar bem a barriga. Um grupo de crianças em excursão escolar ficou boquiaberto com a maluca grávida e semi-nua na beira da lagoa, arriscando-se junto a um bando de capivaras ariscas que vive por ali. Só posso dizer que valeu a pena. São algumas das imagens mais lindas e importantes da minha vida! Afinal, não vou ter aquela barriga de novo nunca mais, nem por um bebê e nem por beber chopp. Bom, assim espero.

REGRA 6 – Forme o seu “clube de mamães” para economizar roupas de grávida.

Com 7 meses de gestação, eu tinha a impressão de que todo mundo estava olhando para mim. Eu passava pela rua orgulhosa do meu ventre inchado e ia arrastando uma multidão de olhinhos cheios de ternura. As pessoas sempre têm esta reação quando veem bebês fofinhos ou filhotinhos de labrador de pelo amarelo ou mulheres grávidas. Quase se pode ouvir um “Ah! Que gachinha!” (até a palavra “gracinha” é dita de forma infantil mesmo).

Aí eu estufava mais ainda a barriga, desfilando toda orgulhosa. É verdade que minha barriga nunca foi tão grande e empinada quanto achei que seria. Uma vez, um médico comentou que isto era esperado no meu caso: “Quando a mulher tem quadris muito largos e muito culote, como você, a barriga não aparece tanto, fica meio embutida.” Excesso de sinceridade com mulheres grávidas deveria ser punido com pena de morte, concorda?

De qualquer forma, este é o momento curtir ao máximo uma situação totalmente bizarra: é a única vez que, quanto mais barriguda você fica, mais as pessoas te elogiam!

É claro que isto também significa que nenhuma roupa do seu armário vai servir por algum tempo. Calma! Nada de sair por aí estourando o cartão de crédito. Faça uma lista de todas as mamães mais recentes que você conhece, vista a sua cara de pau e peça emprestado! Eu montei um guarda-roupa completo onde 95% das peças foi empréstimo. Só comprei 2 calças e ganhei uma bata nova. Estas mamães conhecem outras mamães e ai... começa a se formar uma corrente. Acredite, você vai precisar deste “clube de mamães” em várias ocasiões. Atenção: é fundamental devolver todos os empréstimos depois.

Agora, se você não conseguir um macacão emprestado, compre um, é indumentária obrigatória. Durante minha gravidez eu estava sempre com o meu macacão preto! Para quem conhece meu marido, esclareço: o tal “macacão preto” é uma roupa, não é o marido.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O fim do mundo.

“Benhê... Você está dormindo?”

“Hummmm.”

“Desculpa te acordar mas é que eu estou muito preocupada, sabe.”

“Hummmm.”

“Está prestando atenção? Eu estou preocupada com o urso polar, aquele branquinho, tão bonitinho...”

“O quê?”

“Você sabe, por causa do aquecimento global. O gelo está se derretendo e, se continuar assim, eles vão morrer!”

“Eles quem?”

“Os ursos polares, amor. Você não está me ouvindo. Quando nossa filha crescer, ela não vai ter mais ursos polares.”

“Mas o que ela iria fazer com um urso polar?”

“Todos os seres estão interligados no meio ambiente. É como o caso dos morangos.”

“O urso polar come morangos?”

“Quando eu era criança, os morangos tinham um aroma delicioso e eram doces. Hoje os morangos parecem extraterrestres, cultivados numa plantação em Saturno, com formatos bizarros e gosto de isopor azedo.”

“Você sabia que são... 2:45h da manhã?”

“Nossa filha não vai conhecer o gosto dos morangos que eu comia quando tinha 7 anos de idade. Isso me dá vontade de chorar!”

E aí, eu chorava. Chorava várias vezes pensando em como o destino era cruel. O mundo resolveu acabar bem agora que eu vou ter um bebê! Isto não é justo! Eu também merecia viver a alegria de trazer outro ser ao mundo sem me sentir culpada por estar condenando alguém a morar num planeta devastado pela poluição. E agora, que chegou a minha vez de dar vida a alguém, a vida está acabando? Ninguém merece.

É verdade que o mundo já esteve acabando antes. Quando eu era adolescente, viva com medo que americanos ou russos perdessem a paciência e decidissem lançar uma bomba atômica um no outro. Não faria diferença onde ela caísse, me contavam que todo o planeta iria queimar. Eu tinha certeza de que não chegaria aos 20 anos ou que viveríamos em abrigos nucleares brigando por rações de água e comida.

Hoje, a bomba foi substituída por um novo temor: a destruição da natureza. Aquecimento global, terremotos, esgotamento das nascentes de água e etc. Isto tudo sem falar no lixo. Sacolas plásticas de supermercado, de facilidade da vida moderna passaram a vilãs do meio ambiente. Até a minha filha é também responsável pelo fim do mundo antes mesmo de completar dois anos. Afinal, uma única fralda descartável leva quase 500 anos para se desintegrar! Já pensou? Se um bebê usa cerca de 5 fraldas por dia, em dois anos ele terá jogado na natureza 3.650 fraldas! Quem diria que uma bundinha tão pequena seria capaz de tamanho estrago.

Some-se toda esta preocupação com as doses diárias de notícias nos jornais, revistas, internet e pronto: você tem nas mãos uma mãe-bomba-estressada pronta para explodir. São assassinatos, tragédias, assaltos! Meu Deus, onde é que eu estava com a cabeça quando pensei em colocar mais alguém nesta loucura toda?

REGRA 4 – Assuma o seu lado “Patricinhas de Berverly Hills”.

Relaxe! Isto não é hora de salvar o planeta. Aliene-se um pouco, não vai fazer mal algum. Tragédias vão continuar a acontecer quer você as acompanhe ou não. E você não vai mesmo poder fazer grande coisa para impedi-las, então...
  • Não leia ou assista aos jornais.
  • Não assista programas onde o apresentador fale durante 2 horas sobre um assassinato, mostre fotos do corpo e entreviste o assassino atrás das grades.
  • Não assista ao Globo Repórter porque este programa só apresenta dois assuntos: uma semana é sobre bichos lutando para sobreviver no meio ambiente poluído. Na outra semana é sobre dieta para emagrecer. É difícil saber qual dos dois é mais deprimente.
  • Está permitida leitura das seguintes revistas: Caras, Contigo, revistinha da Mônica e Casa Cláudia. Nem pense em abrir uma revista Boa Forma enquanto você está em forma de bola de basquete.
  • Não atenda telefonemas de nenhuma pessoa com sotaque paulista e tom de voz mecânico: com certeza é telemarketing e não vai te fazer bem ficar gritando coisas tipo “Já disse que não quero comprar, seu filho da p........., vai encher outro”. Também não tente cancelar cartões de crédito ou fazer reclamações do atendimento no supermercado neste período. Lembre-se, evite o estresse e sentimentos de ódio mortal.
  • Na televisão, prefira programas como Vídeo Show, novelas das seis e filmes como Lassie, Bambi ou O Casamento do Meu Melhor Amigo.
  • Coma periodicamente doses de chocolate.
  • Tome banhos de sol de manhã, abraçe árvores e só se preocupe se o tom do seu esmalte vai combinar com aquela batinha superfashion que você ganhou. Pode acreditar, preocupar com esmalte e roupa faz um bem enorme!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Escolha ginecologistas que abraçam.

Certa vez li num texto um conselho surpreendente: “Encontre um bom médico, mais ou menos da sua idade, para que vocês possam envelhecer juntos.” É uma boa ideia já que ele estará passando pelas mesmas fases que você, vai acompanhar todo o seu histórico e assim não será preciso recontar toda a sua vida a cada nova consulta. Saberá quais remédios deram certo, quem é seu marido ou esposa, quais males já afetaram seu corpo e até os males que magoaram seu coração.

Pouquíssimas pessoas têm esse privilégio. Eu sou uma delas.

Dra. Suzana Veloso já cuidou da minha mãe, das minhas irmãs e até da minha sobrinha de 11 anos. Nunca começa um atendimento sem primeiro saber como estou, como vai o trabalho, o marido e a filhotinha. Em suas fichas, dra. Suzana anota muito mais que sintomas de doenças. Ela guarda em suas anotações as queixas, os medos, os anseios e melhoras de cada paciente. Ela se lembra, por exemplo, há quanto tempo eu me queixo por estar acima do peso ou tenho incertezas na vida profissional.

O ginecologista deve ser capaz de dar afeto mas também puxar sua orelha se você ficar mais de um ano sem fazer o papanicolau. O bom profissional vai ver muito além do seu útero. Veja só como foi a sintonia da Dra. Suzana comigo. Em uma de nossas consultas, enquanto estava deitada sem calcinhas e com as pernas graciosamente penduradas naquele estribo, eu falava sem parar dos meus problemas enquanto ela examinava as partes baixas. Depois de olhar detidamente, ela disse:

“Márcia, acho que você deveria procurar um psicólogo.”

Viu? Eu fui o primeiro caso cientificamente diagnosticado de perereca louca! Não sei como a dra. Suzana descobriu que eu não regulava da cabeça só examinando a minha vagina mas ela sempre demonstrou paciência com minha instabilidade emocional.
"Ah, dra. Suzana, eu acho que nunca vou ter filhos. Deus me livre! Além de dar trabalho, eu não acho que ia querer uma coisa dentro da minha barriga, mexendo... Já assistiu o filme Alien? Depois, ainda vou dar de mamar? Argh! Esse negócio de dar leite é para vacas, não é normal. ”
Ela ouvia isso e ainda aceitava continuar a ser minha médica. O problema é que eu simplesmente tinha horror a toda a alteração física causada pela gravidez. Mas dois temores eram essenciais. O primeiro deles, lógico, era engordar. Como já disse, não era medo de perder a forma pois eu sempre estive mesmo é "em forma de nhá benta", sabe como é, aquele doce todo fofo e cheio de pneuzinhos. Mas depois de décadas de dietas saudáveis, dietas malucas, pactos de fome, anfetaminas, bulimia e uma cirurgia bariátrica, era esperado que eu, vendo meu peso aumentar a cada, considerasse isto um motivo legítimo para se cometer o suicídio.

“Márcia, agora tem um bebê dentro de você. O peso tem que aumentar ou há algo errado com sua filha” ela explicava pacientemente.

“Mas, doutora, eu não aguento nem ver o ponteiro da balança subindo...”

“Eu peso você de costas, vai.”

Sinceramente não sei como ela aguentava aquilo. Mas havia um medo ainda pior, o maior de todos: a hora do parto. É uma sensação normal, claro. O processo em si já é bastante assustador mas, para piorar a situação, não faltam histórias de terror sobre partos. Uma colega de trabalho, assim que soube da minha gravidez veio me parabenizar.

“Que bom, Márcia! É sua primeira gravidez? Que Deus abençoe, porque eu, infelizmente, perdi o meu primeiro filho. E o pior: foi no 8º mês, já pensou, enxoval pronto e tudo. Ainda tive que esperar até o dia seguinte para fazer a cirurgia...”

Ela ia contando e eu ia ficando tonta. Aliás, nem precisava de estranhos para rechear meu repertório de terror do parto, basta ouvis as histórias da minha mãe. Quando ela gritava com terríveis contrações, as enfermeiras gentilmente diziam: “Pode parar com este escândalo! Na hora de fazer você gostou, né? Agora aguenta!” Umas gracinhas as enfermeiras nos anos 60, né?

No primeiro parto da minha mãe, não sei se o médico era um açougueiro ou um costureiro pois, quando foi suturar a incisão da vagina, ele se entusiasmou e foi costurando, costurando...até que acabou pregando o botão também, pode?

Continuando mais um capítulo dos “Terríveis Partos da Mãe da Márcia”, quando minha irmã mais nova nasceu no dia 26 de dezembro, quase não tinha médico de plantão. Papai largou mamãe no quarto e saiu desesperado procurando algum pelo hospital enquanto ela berrava de dor, totalmente sozinha. A dor era tanta que ela percebeu apavorada que teria o bebê sozinha! Fico imaginando o medo que ela sentiu.

Após um bom tempo, atraída pelos gritos de minha mãe, uma médica entrou no quarto a tempo pois o bebê já estava coroando. Pausa! Preste bastante atenção nesta palavra: COROANDO. É uma expressão muito glamurosa para uma situação nada elegante, considerando-se que a “coroa” em questão é a sua boceta esticada ao máximo para dar passagem ao cabeção do seu filho.

No fim, mamãe se salvou bem como a minha irmã mais nova, para minha infelicidade já que ela me tirou o título de caçulinha da família. Deu para entender porque é tão importante a escolha do seu ginecologista?

A dra. Suzana me esclarecia as dúvidas, aguentava meus pitis até um certo ponto e depois dava uma sacudidela quando eu exagerava. Como uma boa mãe. E foi a dra. Suzana quem me deu o abraço mais importante da minha vida. Na hora do parto, quando eu me encontrava de camisolão aberto nas costas, sentada numa maca fria e cercada de estranhos e esperando para receber a agulha da peridural entre as vértebras, ela me abraçou. Me envolveu em seus braços e eu me senti segura, pronta para tudo, até para me tornar mãe.

REGRA 3 - Escolha ginecologistas que abraçam.
Quando for procurar um ginecologista, use este teste. Pegunte: “Doutor, na hora da anestesia, o senhor vai estar lá para me abraçar?” Se ele disser que sim, é o médico certo.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Dieta (blagh!) Saudável

Em minha família temos uma tradição nas refeições. Quando todos já estão à mesa se servindo, minha mãe nunca está presente. Ela ainda está na cozinha preparando o último prato: a salada de alface, que ela faz questão de higienizar com água sanitária e sei lá mais o quê. Quando o bife já está quase acabando no prato de todos, eis que ela surge vitoriosa da cozinha, com o maldito prato de salada nas mãos e começa a seção “culpa, minha máxima culpa”.

“Márcia, olha a salada. Vai querer salada, Cláudia? Alessandra, até agora você não comeu a salada. Além da Simone, será que ninguém mais vai comer a salada que eu fiz com tanto carinho?”

Se você nunca se lembra da salada, fique tranquila. A gravidez exerce um efeito mágico nas mulheres. De repente, tudo o que você come ganha um novo significado. Você pensa antes de comer (coisa inédita na minha vida, pensar antes de comer): “Vou comer proteína pois é um dos alimentos construtores, forma os músculos. Leite é cálcio, bom para os ossos” e por aí vai.

REGRA 2 - Cuide da sua saúde sem ser psicótica.

Você não é mais uma menina, sinto muito jogar isto na sua cara mas a verdade é que gravidez aos 40 é normal mas tem riscos que vão muito além de não caber numa calça jeans 38.

Procure uma nutricionista para montar um cardápio balanceado. Eu fiz isto. Detalhe: no final das contas, eu não segui o cardápio porcaria nenhuma. Mas tudo bem, só de ter procurado uma profissional já foi um passo certo, não concorda? Posso não ter feito tudo certinho, mas a consulta me deu aquele impulso, tipo entoando um mantra: “coma saudável, coma saudável... aummmmmm”.

Realmente passei a me alimentar melhor (acho que foi a primeira vez em 40 anos que não fiz isto para emagrecer e sim para engordar!) e a salada passou a visitar meu prato diariamente.
Mas atenção: quebre a dieta uma vez por dia! Vamos lá, gente! Tem coisa mais charmosa que você passar com os colegas na frente de uma sorveteria, alisar o barrigão e dizer “Ai, que desejo de tomar sorvete de chocolate com calda de caramelo e castanhas...” É fatal! Eles compram para você na hora! Uma vez, entrei no elevador da empresa e um homem, que eu nunca tinha visto antes, se preparava para desembrulhar um bombom de cereja. Bastou um olhar meu (aquele olhar de cachorro perdido) e o homem, meio sem jeito, me estendeu o doce, que eu, de imediato, aceitei. Sem palavras, só um sorriso. Ele sussurrou para um colega, enquanto eu saía do elevador:

“Se a gente não atende desejo de mulher grávida, dá bonitinho...”

Depois descobri que o tal bonitinho é um tipo de terçol no olho. Viu só? Nós, mulheres grávidas, somos poderosas como temíveis bruxas.

Resumindo, cuide da saúde sem paranóia, coma o que faz bem em grande quantidade e o que faz mal em pequeninas doses. De preferência, dê um jeitinho de ganhar guloseimas, esta é sua única chance. Só alguém cruel negaria um pedaço de torta de nozes para uma gentil grávida que, ainda por cima, tem poderes sobrenaturais de causar bonitinho nos outros.

Encha a geladeira da empresa de frutas e tenha barra de cereal ou biscoitos integrais na bolsa. Agora, álcool, sinto muito garota, isto não te pertence mais. Nem pense no assunto. Não! Nem uma gota. Bem, para ser sincera, eu tomei um cálice de licor, mas também estava visitando a Expocachaça, né? E tomei 2 chopes mas eu estava no churrascão do Cruzeiro, tinha pago uma grana preta pela festa. Aí também não vale, né? O convite é mais de 100 reais, poxa! Melhor esquecermos este episódio também.

Para terminar, nenhum plano para ser saudável está completo sem (argh!) a ginástica! Se você detesta, como eu, o importante é buscar o que dá prazer (ou menos ódio) e sem muita cobrança. A escolha mais provável é a hidroginástica. Afinal, quem faz hidro? Ou a pessoa é obesa, ou está se recuperando de uma cirurgia, ou está grávida ou na 3ª idade. Eu já fiz hidroginástica por quase todos estes motivos. A primeira vez foi porque pesava 110 quilos. Depois, fiz porque operei o joelho e, enfim, porque estava grávida. Ou seja, só falta esperar fazer 60 anos e lá vou eu de novo!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

10 Regras para sobrevivência à gravidez aos 40

Fazer 40 anos nessa sociedade de culto à juventude e bumbuns empinados é, no mínimo, um desafio para qualquer mulher. Enquanto rugas e cabelos brancos tornam Sean Connery e Antônio Fagundes ainda mais charmosos, as mesmas rugas e cabelos brancos transformam mulheres em potes de iogurte. Passou o dia da validade, ninguém mais quer comer.

Há uma década, na comemoração dos 40 anos de minha prima, perguntei a ela como era entrar para a idade dos “enta”: quarenta, cinquenta, sessenta, setenta... e por aí vai igual a um trem desgovernado. Minha prima confirmou meus mais terríveis pesadelos:

“Márcia, é i-na-cre-di-tá-vel! Você tá legal, faz 40 anos e, no dia seguinte, olha no espelho e vê uma ruga que nunca esteve lá antes. Parece mágica.” Melhor dizer, macumba, né? Hoje, com cinquenta anos, ela tem uma visão mais otimista da coisa.

“E aí, Tereza, que tal fazer 50?”

“É melhor que a alternativa.”
“Qual alternativa?”

“Estar morta.”

Aos 20 anos, você acha que sempre haverá tempo para consertar qualquer estrago que provocar em seu corpo. Vou comer só mais dois brigadeiros e segunda começo o regime. Vou fumar só mais um cigarrinho porque a cerveja gelada dá uma vontade de fumar... Que academia bacana! Mês que vem me matriculo. O problema é que você chega aos 40 e não fez nada do planejado!

É isso aí, garota, acabou a festa. Você tem 40 e está grávida. O que quer dizer que, quando seu filho tiver 10 aninhos, você terá cinquenta! O quê? Cinquenta anos! Mas eu não estou pronta para isso! Eu ainda me sinto com 16 anos! Bem, não me sinto com os mesmos seios dos 16 anos mas ainda tenho os mesmos sonhos e medos. Para ser sincera, ainda tenho o mesmo medo de dentista que tinha aos 10 anos. Quer ouvir uma pior? Ainda tenho medo de monstro debaixo da cama como aos 7 anos. E agora vou ter um bebê! Acho que é hora de crescer.

Até porque, crescer é a palavra de ordem durante a gravidez. Prepare-se! Sua barriga vai crescer, seus seios vão crescer, suas estrias, seu apetite, seu sono e cresce até a vontade de fazer xixi.

Sejamos francas, um dos maiores receios entre as mulheres na gravidez é se o seu corpo vai voltar ao normal. Eu nunca tive esta preocupação. O meu corpo nunca foi normal! Mas sei que isto aterroriza as mulheres em geral. Afinal de contas, dos 15 aos 40 anos elas cuidaram do corpo com dietas, cremes e muita malhação. Deve ser duro encarar a possibilidade de ver um investimento deste montante despencar entre gordurinhas e flacidez. Para momentos de confusão mental como este, eu bolei minhas 10 Regras de sobrevivência à gravidez aos 40.

REGRA 1 – Perdoe seu corpo!

Perdoar alguém é aceitar aquela pessoa como ela é. Tem gente que perdoa assassino de filho. Você não pode perdoar uma celulite? Não estou dizendo para não cuidar da saúde e engordar 30 quilos na gravidez, isto é suicídio. Apenas aceite que a experiência da gravidez, como toda experiência grandiosa, tem um preço exatamente porque oferece um benefício muito grande em troca.

Então, perdoe! Perdoe a estria, a flacidez, até seus seios! Eu era a orgulhosa proprietária de dois fartos melões. Depois da amamentação tenho que sobreviver com dois honestos limõezinhos. O silicone tá aí para isso mesmo.

Se você não é a Gilese Bündchen nem a Fernanda Lima que ganham dinheiro para sair da gravidez com a barriga igual a uma tábua de passar roupa, então seja bem-vinda ao mundo das mulheres de verdade que vão parir aos 40 anos e, depois desta experiência, vão se transformar em alguém diferente em todos os sentidos.

Estamos o tempo todo dando notas para pedaços de nossos corpos. Firmeza do bumbum, nota...7. Abdomem, deixe ver... nota 4.

Pois bem, dê uma nota para isto: seu corpo será capaz de produzir outro ser humano, completo, órgãos internos, sangue, ossos, músculos, pele, cabelos e unhas. Seu corpo dará luz à esse ser humano e ainda produzirá o alimento para sua sobrevivência nos primeiros meses. Então? Isto vale uma nota bem maior que a do bumbum empinado, é ou não é?

Veja mais regras no próximo texto.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O Teste

O teste de gravidez é o único exame médico no qual um mesmo resultado pode provocar tanto alívio quanto pânico, euforia, desespero ou, como no meu caso, todos esses sentimentos ao mesmo tempo.
Logo decidi me arriscar no meu primeiro exame de farmácia. Entro no banheiro, abro a caixinha e leio as instruções com tanta emoção que não entendo nada. Leio mais duas vezes e começo o processo. Abaixo a calcinha, seguro o minúsculo potinho (parece um dedal) e encaixo onde imagino que vai sair o xixi. Se existe uma maneira digna de se fazer este teste, por favor alguém me conte. Minha mão, o acento do vaso e minha calcinha ficam molhados na hora. Suando de nervoso e toda mijada, me preparo para mergulhar a tal fitinha no dedal. É importantíssimo mergulhar a fitinha do lado certo. Qual é o lado certo mesmo? Seguro de novo a bula que fica molhada também. Os desenhos parecem totalmente diferentes mas mando ver. Agora é esperar.
Leva cerca de 5 minutos mas mesmo assim você fica 10, 15, 30 minutos esperando aparecerem os dois risquinhos que provam que você é uma vitoriosa. No fundo você já sabe que deu negativo.
A primeira vez, dói. Na segunda vez, é triste também. Na quinta, você começa a ficar meio puta da vida. A partir da oitava vez, jura nunca mais fazer a merda do teste enquanto viver.

Até o dia em que ascende a esperança de novo. Aí, você quer fazer o teste na hora, no mesmo minuto. O desespero é tão grande que você poderia sair de casa às 3h da manhã e abrir a porta da farmácia com um machado para pegar uma caixinha do exame. Por isto, eu nem esperei chegar em casa, repeti a operação “xixi na mão” no banheiro da empresa mesmo. Assim que mergulhei a fitinha no líquido, imediatamente apareceram dois risquinhos. “Droga” pensei. “Tá estragado. Deu positivo rápido demais. Vou comprar outro e fazer de novo.” Mas o segundo também estava estragado. Celular na mão, ligo do banheiro mesmo.

“Amor, tô ligando aqui do banheiro do serviço. É que você ficou falando aquele negócio de gravidez e aí resolvi shshsh...”

“O quê? Fala mais alto.”

“Não posso falar alto, tô no banheiro do serviço, porra.”

“Credo, você só tem tempo de me ligar na hora de fazer xixi?”

“Presta atenção. Eu fiz o teste.”

“Sabia! Você está grávida amor! Já contei para minha mãe.”

“Você falou com a sua mãe?! Mas a gente combinou não contar pra ninguém até ter certeza! Além disso, acho que o trem tá estragado. Deu positivo na hora e a bula diz para esperar 5 minutos.”

“Aposto que vai ser menina. Minha mãe acha que vai ser menino.”

“Pare com isto, tenho que fazer o exame de sangue. Só assim vou ter certeza absoluta. Ninguém vai saber até falarmos com um médico, combinado?”

“Eu realmente quero que seja menina. Vou contar para todos os meus colegas aqui do serviço, tô tão feliz!”

“Já disse, não vamos contar para ninguém até ter certeza e ponto final. Agora vou desligar. Preciso telefonar para minha irmã, ela vai ficar louquinha com a notícia!”

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Engravidando

Algumas decisões podem afetar o resto de suas vidas. Por isto, desde os 15 anos eu só tinha uma única certeza na vida: não queria ser mãe. Eu não consigo manter minha gaveta de calcinhas em ordem, como poderia cuidar, lavar, limpar a bunda, alimentar, educar outro ser humano?

Adorava ficar até tarde vendo um filme, sair a qualquer hora e viajar a serviço ou lazer. Não tinha jantar? Miojo: pronto em 3 minutos!

Ia tudo muito bem até que apareceu a Ideia! Ninguém sabe de onde essa Ideia veio, simplesmente apareceu do nada e mudou tudo. “Amor, estive pensando e... acho que eu quero ter um bebê.”

Parecia que meu marido tinha ganhado na loteria. Ele nunca deixara transparecer, mas sempre sonhara ser pai, só que não queria forçar minha barra. Ou talvez tenha sido ele quem plantou a tal Ideia. Lavagem cerebral? Magia negra? Sei lá. Só sei que, para todos os efeitos, a Ideia saiu da minha cabeça e, com isto, todas as consequências seriam sempre minha culpa. Droga! Adoro poder botar a culpa no meu marido...

E foi assim! Não tinha absolutamente nada de errado com a minha vida. Mesmo assim, resolvi mudá-la de ponta a cabeça e começamos a praticar o chamado “sexo com propósitos reprodutivos”.

Já disse que sou bagunceira. Mas havia uma coisa que eu manipulava com mais cuidado que os cientistas de um laboratório nuclear manipulam plutônio: a pílula anti-concepcional. Sagrada, priorizada, reverenciada, jamais esquecerás de tomar a pílula certa no dia certo e na hora certa, amém!

De repente, eu estava livre. Podia dar adoidado sem me preocupar com nada. A única preocupação era: a menstruação vem ou não vai vem? E todo mês, decepção: ela vinha. Minha vida sexual ficou estranha. Não era mais uma questão de tesão, era questão de contar no calendário para conferir o dia fértil e aí, pimba! Querendo ou não querendo, tinha que comparecer. “Querida, hoje eu tô tão cansado...” E eu já rodava a baiana: “Não quero nem saber. Tem que fazer sua parte, que aliás, é a mais fácil de todas. Quem vai carregar o bebê? Quem vai parir? Quem vai amamentar? E você não pode fazer uma forcinha mínima?” No outro mês, a coisa virava pro meu lado. “Hoje não, querido, que eu estou com dor de cabeça...” Parece desculpa clichê mas no meu caso é sério, eu tenho enxaqueca.

Passaram-se dois anos. Isso mesmo, você leu direito: DOIS ANOS! Já tinha até esquecido da Ideia. Desistimos dos ultrasons, dos exames, do calendário e voltamos à vida normal. Até que um dia, meu marido chegou das compras com meus pacotes de absorventes e foi guardá-los no armário.

“Benhê, sua menstruação não veio mês passado.”

“Claro que veio.”

“Você é desligada mesmo. O armário tá cheio de pacotes de absorvente, você não usou nenhum.”

“Gente, será que já é a menopausa?”

“Querida, você tá grávida.”

“Claro que não, eu nunca fiquei grávida”.

“Tá agora. E não é só isso: notei que seus seios estão maiores.”

“Você é um tarado mesmo...”

“Não é isso, você reclamou ontem que os seios estão doendo, isso é sintoma de gravidez.”

“Amor, parece que você não assiste novela. Sintoma de gravidez é enjoo. A mocinha da novela sempre vomita e eu não estou vomitando.”

“Tá grávida.”

“Não tô! Para de me dar esperanças! Buáááá!”

Mal sabia eu que aquele descontole emocional todo também era um dos sintomas de gravidez. Consultei o Google e era verdade: seios inchados e doloridos são os primeiros sintomas de gravidez. Ninguém contou isto para os autores de novela?