- Pelo amor de Deus, Márcia! Você não me deixe o bebê azedar, viu?
Olhei incrédula para minha irmã Alessandra. Como assim, azedar? Será que eu deveria colocar o bebê no freezer junto com os potes de feijão cozido?
- É horrível quando a gente pega um bebê e vem aquele cheiro de azedo no nariz da gente, credo! Mistura o leite, a fralda cheia de xixi e o suor do bebê, o cheiro só pode ser azedo. Então, não economize fralda! Tem mãe que quer deixar juntar 2 ou 3 xixis para trocar a fralda. É inadimissível. E banho? Pelo menos dois por dia.
Dois banhos por dia! O que um recém nascido pode fazer para ficar tão suado assim? Kickboxing? Bom, estranho ou não, desde que nasceu Laura toma dois banhos por dia religiosamente. Afinal, minha irmã caçula se tornou mãe dez anos antes de mim! É muito bom poder contar com a experiência de quem já tem filhos maiores de 3 anos. Significa que aquele pessoa conseguiu cuidar de um bebê e ele sobreviveu para contar a história. É uma vantagem. Por isto, segui muitos conselhos dela e da minha outra irmã Simone, principalmente sobre a segurança do bebê. E entre as coisas mais perigosas que você pode fazer na vida, como rapel ou pular de um avião com um pára quedas nas costas; dar um banho num recém-nascido é, sem dúvida, a mais radical de todas.
Uhoo, galera! Vamos lá, rapaziada: tá na hora daquele banho esperto. Então, fiquem ligadaços nas superdicas para curtir as emoções deste esporte maneiro. Iça!
Atenção para os equipamentos obrigatórios! Banheirinha, suporte de banheirinha, assento de espuma em formato de ursinho, sabonete para bebê, shampoo que não arde nos olhos, condicionador supersuave, um termômetro em formato de patinho, toalha com capuz, fraldão toalha, algodão, gaze, álcool absoluto, esparadrapo, cotonete, creme hidratante, fralda descartável, body cor de rosa, calça de malha, um par de meias tão minúsculas que parecem de uma boneca, um casaquinho de lã e duas gotas de água de colônia infantil. Isso é o mínimo.
A primeira coisa que se deve fazer para o banho dar certo é escolher a roupa. Nada de deixar o bebê pelado, tremendo de frio, enquanto você decide se a calça verde combina com o body rosa choque. Se você estiver sozinha, como eu quase sempre estava, deixe tudo à mão, mais ou menos na ordem em que precisará usar cada coisa. Inclusive um telefone, caso seja necessário chamar os bombeiros.
Encher a banheirinha também é outro momento de alto risco. Parece simples, mas a temperatura da água é fator crítico de sucesso para a prática deste esporte tão radical. Pode significar a diferença entre levar a medalha de ouro ou levar o bebê para o hospital.
Conhecendo minha personalidade ligeiramente desatenta (leia-se “no mundo da lua”), minha amiga de trabalho Soraia, presenteou-me com um lindo termômetro em forma de um patinho que ficava boiando na banheira. Após algum tempo, fiquei totalmente viciada no tal patinho. Não conseguia dar nem mais um banho sem consultá-lo antes. Nem perdia tempo mergulhando meu cotovelo na água: o patinho tomava as decisões, se a água estava boa ou não. Um belo dia, percebi que jamais havia limpado o patinho apropriadamente. Imagine só, eu tinha apenas aberto a embalagem e começado a usar o termômetro sem higienizá-lo antes. É verdade que ele já estava tomando banho com Laura há uns dois meses, mas achei que o correto era tirar qualquer tipo de germe que ele ainda pudesse ter. Então, enchi a leiteira de água, joguei o patinho lá dentro e o coloquei para ferver. É isso mesmo: eu fervi um termômetro!
- Amor, foi você quem colocou esta água fervendo aqui? - gritou meu marido da cozinha.
- Ai, quase me esqueci! Apaga o fogo aí, Elberth, e pode trazer o patinho para mim.
- Você vai comê-lo agora? Acho que já está cozido.
Olhei para o conteúdo da leiteira em suas mãos. Um líquido vermelho boiava na água fumegante como um rastro de sangue. Eu havia matado o patinho.
- Mas o que é que você estava pensando?
- Amor, eu só queria que o patinho ficasse limpinho...
- Eu não acredito que eu tive uma filha com você. Que eu deixei que você espalhasse seus genes pelo planeta!
Fiquei com tanta vergonha que só contei para a Soraia o que fiz com o presente dois anos depois. Foi quando ela me confidenciou que me deu o termômetro exatamente por me achar tão distraída que teve medo que eu colocasse Laura na água fervente. Não era só ela, meu pai sempre entrava no banheiro quando sabia que eu preparava o banho de Lalá.
- Deixe-me experimentar esta água. Aaaii! Você quer cozinhar o bebê? Eu devia jogar esta água pelando em você!
Como você pode ver, ninguém confiava que eu poderia me sair bem em realizar as tarefas mais melindrosas da maternidade. Mas, quer saber? Eu me saí extraordinariamente bem no tal do banho do bebê! É que, apesar de dar um trabalho danado, eu não encarava a coisa toda como uma tarefa. Para mim, a hora do banho era um grande prazer, um momento meio mágico entre eu e minha filhinha. Era como uma volta aos dias em que Laura passava todo o tempo flutuando no líquido aquecido do meu útero. Para que ela relembrasse aquele tempo, com a mão esquerda, eu segurava a cabeça, o pescoço e as costinhas dela, movendo-a lentamente de um lado para o outro na banheira. Depois, virava o corpinho delicado de barriga para baixo para ensaboar suas costas. Era um balé que dançávamos juntas no banheiro esfumaçado.
Minhas irmãs, quando estavam comigo, também pediam para dar o banho. Todo mundo adorava, menos o meu marido. Para ele, segurar uma coisinha tão delicada e frágil apenas com a mão esquerda dentro de uma banheira cheia de água, era um pesadelo! E olha que Elberth fazia de tudo! Trocava xixi, cocô, dava mamadeira, fazia dormir, tudo enfim! Mas nos primeiros dias de vida da Laura, dar banho era seu maior medo. Então, decidi que já era hora dele enfrentar os seus fantasmas (e era uma ótima oportunidade para eu descansar, claro).
- Nano, hoje você dá o banho.
Antes que ele tivesse tempo de se esquivar, já fui empurrando-o para o banheiro.
- Mas, meu bem, eu não sei como... Ela é muito pequena!
- Calma! Eu vou ficar aqui ao lado do box, não precisa se preocupar.
Aos poucos, Elberth foi se soltando e curtindo o banho. Ele estava se saindo tão bem que achei que não tinha problema em sair do banheiro um instante para conferir uma coisa no quarto. Foi quando ouvi o grito angustiado de Elberth:
- LAURA!
Meu coração deu um salto e corri de volta ao banheiro. Quando entrei, Elberth segurava Laura fora da banheira gritando. Ele contou depois que foi tudo foi muito rápido. No momento em que a virava para ensaboar as costas, ela escorregou caindo de frente na água. Ele tentou tirá-la mas ela escapuliu novamente de seus dedos ensaboados mergulhando na banheirinha. Todo este desastre não levou mais que cinco segundos, mas para Elberth pareceram cinco minutos. Foi tempo o suficiente para Laura respirar um pouco de água e levar um belo susto também.
- Minha filha! Laura! Respira!
Não gritei a princípio. A cena me pareceu irreal já que não dava tempo para ela se afogar. Mesmo assim, Laura estava estranhamente parada, os olhinhos arregalados e o rosto vermelho como se não conseguisse respirar. Comecei a gritar junto com Elberth.
- Laura! Reage minha filha!
- Eu matei nossa filha, Márcia! Eu matei nossa filha!
Tudo bem, eu admito que esta foi a frase mais ridícula que o meu marido já disse em toda a nossa vida. Ele deve ter ouvido isto em alguma novela mexicana. Mas na hora, soou supertrágica aos meus ouvidos. Enquanto gritávamos feito loucos, eu esfregava o rosto de Laura com uma toalha e, por falta de uma ideia melhor, tanto eu quanto Elberth sacudíamos a pobre criança de um lado para o outro.
Hoje, quando me lembrando daquele dia, é óbvio porque Laura demorou tanto para reagir. Imagine só o pavor da menina ao ver seus próprios pais gritando histéricos, sacudindo-a com força, a água da banheira caindo por todo lado. Ela deve ter pensado:
“Meu Deus, que tipo de pessoas são essas para as quais o Senhor me entregou? Qual o critério usado na classificação dos candidatos a pais? Eu exijo revisão na nota do teste destes dois malucos! Eles devem ter tirado 3 no teste de controle emocional.”
Quando Laura finalmente reagiu, respirando sofregamente, isto não alterou em quase nada o estado de histeria em que eu e Elberth havíamos mergulhado. Levamos a bebezinha para nosso quarto e nos deitamos com ela, nua e molhada, em nossa cama. Ficamos meio em cima dela, abraçando-a com toda força e chorando alto. Na verdade ela corria mais risco de se sufocar agora.
Por alguns momentos, ficamos os dois sem condições de nos levantar e vesti-la. O susto nos nocateou e eu percebi horrorizada que Laura só tinha a nós dois. Se algo acontecesse a ambos, ela estaria sozinha. Quem cuidaria dela? Eu me sentia zonza e Elberth não parecia melhor. Não fora só o susto, o cansaço de nossa nova rotina já vinha minando nossas resistências há algum tempo. O susto só serviu para nos mostrar como estávamos frágeis.
Meu marido demorou mais de um ano para se recuperar deste banho. Hoje ele já é capaz de banhar Laura até de olhos fechados. Mesmo assim, quando se lembra deste dia, ele ainda se sente culpado, fica com o rosto sombrio e abaixa os olhos. Pobrezinho. Ainda bem que ele não estava por perto na noite em que aconteceu coisa muito pior com nossa filhinha. Com certeza, ele iria pirar para sempre.
Olhei incrédula para minha irmã Alessandra. Como assim, azedar? Será que eu deveria colocar o bebê no freezer junto com os potes de feijão cozido?
- É horrível quando a gente pega um bebê e vem aquele cheiro de azedo no nariz da gente, credo! Mistura o leite, a fralda cheia de xixi e o suor do bebê, o cheiro só pode ser azedo. Então, não economize fralda! Tem mãe que quer deixar juntar 2 ou 3 xixis para trocar a fralda. É inadimissível. E banho? Pelo menos dois por dia.
Dois banhos por dia! O que um recém nascido pode fazer para ficar tão suado assim? Kickboxing? Bom, estranho ou não, desde que nasceu Laura toma dois banhos por dia religiosamente. Afinal, minha irmã caçula se tornou mãe dez anos antes de mim! É muito bom poder contar com a experiência de quem já tem filhos maiores de 3 anos. Significa que aquele pessoa conseguiu cuidar de um bebê e ele sobreviveu para contar a história. É uma vantagem. Por isto, segui muitos conselhos dela e da minha outra irmã Simone, principalmente sobre a segurança do bebê. E entre as coisas mais perigosas que você pode fazer na vida, como rapel ou pular de um avião com um pára quedas nas costas; dar um banho num recém-nascido é, sem dúvida, a mais radical de todas.
Uhoo, galera! Vamos lá, rapaziada: tá na hora daquele banho esperto. Então, fiquem ligadaços nas superdicas para curtir as emoções deste esporte maneiro. Iça!
Atenção para os equipamentos obrigatórios! Banheirinha, suporte de banheirinha, assento de espuma em formato de ursinho, sabonete para bebê, shampoo que não arde nos olhos, condicionador supersuave, um termômetro em formato de patinho, toalha com capuz, fraldão toalha, algodão, gaze, álcool absoluto, esparadrapo, cotonete, creme hidratante, fralda descartável, body cor de rosa, calça de malha, um par de meias tão minúsculas que parecem de uma boneca, um casaquinho de lã e duas gotas de água de colônia infantil. Isso é o mínimo.
A primeira coisa que se deve fazer para o banho dar certo é escolher a roupa. Nada de deixar o bebê pelado, tremendo de frio, enquanto você decide se a calça verde combina com o body rosa choque. Se você estiver sozinha, como eu quase sempre estava, deixe tudo à mão, mais ou menos na ordem em que precisará usar cada coisa. Inclusive um telefone, caso seja necessário chamar os bombeiros.
Encher a banheirinha também é outro momento de alto risco. Parece simples, mas a temperatura da água é fator crítico de sucesso para a prática deste esporte tão radical. Pode significar a diferença entre levar a medalha de ouro ou levar o bebê para o hospital.
Conhecendo minha personalidade ligeiramente desatenta (leia-se “no mundo da lua”), minha amiga de trabalho Soraia, presenteou-me com um lindo termômetro em forma de um patinho que ficava boiando na banheira. Após algum tempo, fiquei totalmente viciada no tal patinho. Não conseguia dar nem mais um banho sem consultá-lo antes. Nem perdia tempo mergulhando meu cotovelo na água: o patinho tomava as decisões, se a água estava boa ou não. Um belo dia, percebi que jamais havia limpado o patinho apropriadamente. Imagine só, eu tinha apenas aberto a embalagem e começado a usar o termômetro sem higienizá-lo antes. É verdade que ele já estava tomando banho com Laura há uns dois meses, mas achei que o correto era tirar qualquer tipo de germe que ele ainda pudesse ter. Então, enchi a leiteira de água, joguei o patinho lá dentro e o coloquei para ferver. É isso mesmo: eu fervi um termômetro!
- Amor, foi você quem colocou esta água fervendo aqui? - gritou meu marido da cozinha.
- Ai, quase me esqueci! Apaga o fogo aí, Elberth, e pode trazer o patinho para mim.
- Você vai comê-lo agora? Acho que já está cozido.
Olhei para o conteúdo da leiteira em suas mãos. Um líquido vermelho boiava na água fumegante como um rastro de sangue. Eu havia matado o patinho.
- Mas o que é que você estava pensando?
- Amor, eu só queria que o patinho ficasse limpinho...
- Eu não acredito que eu tive uma filha com você. Que eu deixei que você espalhasse seus genes pelo planeta!
Fiquei com tanta vergonha que só contei para a Soraia o que fiz com o presente dois anos depois. Foi quando ela me confidenciou que me deu o termômetro exatamente por me achar tão distraída que teve medo que eu colocasse Laura na água fervente. Não era só ela, meu pai sempre entrava no banheiro quando sabia que eu preparava o banho de Lalá.
- Deixe-me experimentar esta água. Aaaii! Você quer cozinhar o bebê? Eu devia jogar esta água pelando em você!
Como você pode ver, ninguém confiava que eu poderia me sair bem em realizar as tarefas mais melindrosas da maternidade. Mas, quer saber? Eu me saí extraordinariamente bem no tal do banho do bebê! É que, apesar de dar um trabalho danado, eu não encarava a coisa toda como uma tarefa. Para mim, a hora do banho era um grande prazer, um momento meio mágico entre eu e minha filhinha. Era como uma volta aos dias em que Laura passava todo o tempo flutuando no líquido aquecido do meu útero. Para que ela relembrasse aquele tempo, com a mão esquerda, eu segurava a cabeça, o pescoço e as costinhas dela, movendo-a lentamente de um lado para o outro na banheira. Depois, virava o corpinho delicado de barriga para baixo para ensaboar suas costas. Era um balé que dançávamos juntas no banheiro esfumaçado.
Minhas irmãs, quando estavam comigo, também pediam para dar o banho. Todo mundo adorava, menos o meu marido. Para ele, segurar uma coisinha tão delicada e frágil apenas com a mão esquerda dentro de uma banheira cheia de água, era um pesadelo! E olha que Elberth fazia de tudo! Trocava xixi, cocô, dava mamadeira, fazia dormir, tudo enfim! Mas nos primeiros dias de vida da Laura, dar banho era seu maior medo. Então, decidi que já era hora dele enfrentar os seus fantasmas (e era uma ótima oportunidade para eu descansar, claro).
- Nano, hoje você dá o banho.
Antes que ele tivesse tempo de se esquivar, já fui empurrando-o para o banheiro.
- Mas, meu bem, eu não sei como... Ela é muito pequena!
- Calma! Eu vou ficar aqui ao lado do box, não precisa se preocupar.
Aos poucos, Elberth foi se soltando e curtindo o banho. Ele estava se saindo tão bem que achei que não tinha problema em sair do banheiro um instante para conferir uma coisa no quarto. Foi quando ouvi o grito angustiado de Elberth:
- LAURA!
Meu coração deu um salto e corri de volta ao banheiro. Quando entrei, Elberth segurava Laura fora da banheira gritando. Ele contou depois que foi tudo foi muito rápido. No momento em que a virava para ensaboar as costas, ela escorregou caindo de frente na água. Ele tentou tirá-la mas ela escapuliu novamente de seus dedos ensaboados mergulhando na banheirinha. Todo este desastre não levou mais que cinco segundos, mas para Elberth pareceram cinco minutos. Foi tempo o suficiente para Laura respirar um pouco de água e levar um belo susto também.
- Minha filha! Laura! Respira!
Não gritei a princípio. A cena me pareceu irreal já que não dava tempo para ela se afogar. Mesmo assim, Laura estava estranhamente parada, os olhinhos arregalados e o rosto vermelho como se não conseguisse respirar. Comecei a gritar junto com Elberth.
- Laura! Reage minha filha!
- Eu matei nossa filha, Márcia! Eu matei nossa filha!
Tudo bem, eu admito que esta foi a frase mais ridícula que o meu marido já disse em toda a nossa vida. Ele deve ter ouvido isto em alguma novela mexicana. Mas na hora, soou supertrágica aos meus ouvidos. Enquanto gritávamos feito loucos, eu esfregava o rosto de Laura com uma toalha e, por falta de uma ideia melhor, tanto eu quanto Elberth sacudíamos a pobre criança de um lado para o outro.
Hoje, quando me lembrando daquele dia, é óbvio porque Laura demorou tanto para reagir. Imagine só o pavor da menina ao ver seus próprios pais gritando histéricos, sacudindo-a com força, a água da banheira caindo por todo lado. Ela deve ter pensado:
“Meu Deus, que tipo de pessoas são essas para as quais o Senhor me entregou? Qual o critério usado na classificação dos candidatos a pais? Eu exijo revisão na nota do teste destes dois malucos! Eles devem ter tirado 3 no teste de controle emocional.”
Quando Laura finalmente reagiu, respirando sofregamente, isto não alterou em quase nada o estado de histeria em que eu e Elberth havíamos mergulhado. Levamos a bebezinha para nosso quarto e nos deitamos com ela, nua e molhada, em nossa cama. Ficamos meio em cima dela, abraçando-a com toda força e chorando alto. Na verdade ela corria mais risco de se sufocar agora.
Por alguns momentos, ficamos os dois sem condições de nos levantar e vesti-la. O susto nos nocateou e eu percebi horrorizada que Laura só tinha a nós dois. Se algo acontecesse a ambos, ela estaria sozinha. Quem cuidaria dela? Eu me sentia zonza e Elberth não parecia melhor. Não fora só o susto, o cansaço de nossa nova rotina já vinha minando nossas resistências há algum tempo. O susto só serviu para nos mostrar como estávamos frágeis.
Meu marido demorou mais de um ano para se recuperar deste banho. Hoje ele já é capaz de banhar Laura até de olhos fechados. Mesmo assim, quando se lembra deste dia, ele ainda se sente culpado, fica com o rosto sombrio e abaixa os olhos. Pobrezinho. Ainda bem que ele não estava por perto na noite em que aconteceu coisa muito pior com nossa filhinha. Com certeza, ele iria pirar para sempre.
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